Istambul pelos olhos de Evliya Çelebi.
Evliya Çelebi foi um viajante que, no século XVII, percorreu por mais de quarenta anos os territórios otomanos e os países vizinhos, registrando suas experiências em um livro de viagens em dez volumes, conhecido como "Seyahatname".
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Evliya Çelebi foi um viajante que, no século XVII, percorreu as terras otomanas e países vizinhos durante mais de quarenta anos, registrando suas experiências em dez volumes de sua obra "Seyahatname". De acordo com a Comissão Nacional Turca da UNESCO, a obra menciona 45 países e 257 cidades, oferecendo uma vasta gama de informações, desde a estrutura administrativa e arquitetura das cidades até os produtos vendidos nos mercados e a forma como as pessoas se comunicavam. No entanto, o primeiro volume desta monumental obra é dedicado a uma única cidade: Istambul, onde Evliya nasceu e começou a escrever. Este texto foi preparado para que você possa ter Evliya como um guia. Primeiramente, resumimos quem ele era e o que o volume de "Seyahatname" dedicado a Istambul aborda. Em seguida, indicamos quais dos lugares que ele descreveu ainda podem ser visitados hoje e o que é importante observar ao ler Evliya. Em vez de incluir longas citações de Evliya, baseamo-nos em fontes confiáveis sobre ele.
**Um Menino Nascido em Unkapanı**
De acordo com a Enciclopédia Islâmica TDV, Evliya Çelebi nasceu em 25 de março de 1611, em Istambul, no bairro de Unkapanı. Seu nome completo não é totalmente conhecido; acredita-se que o apelido "Evliya" tenha sido derivado do nome de seu professor, Imam Evliya Mehmed Efendi. Seu pai, Derviş Mehmed Zılli, era o chefe dos ourives da corte. Evliya escreveu que seu pai trabalhou nas decorações de portas e janelas da Mesquita Sultanahmet. A família era originalmente de Kutahya e se estabeleceu em Istambul após a conquista. Segundo o relato de Evliya, seus ancestrais, incluindo Yavuz Er, construíram a casa onde Evliya nasceu em Unkapanı, juntamente com cem lojas. Assim, Unkapanı não era apenas o local de nascimento de Evliya, mas também o lugar onde a família se estabeleceu na cidade.
Evliya recebeu uma boa educação. De acordo com a TDV, ele estudou por cerca de sete anos na escola Sheikhülislam Hamid Efendi, onde recebeu aulas de memorização do Corão com seu professor e aprendeu caligrafia com seu pai. Devido à sua bela voz, também recebeu treinamento musical. Posteriormente, foi admitido na corte e continuou seus estudos no Enderun. A Wikipédia em turco relata que ele chamou a atenção do sultão Murad IV ao recitar o Corão na Mesquita Hagia Sophia. Evliya, em suas próprias palavras, frequentemente comparecia à presença do sultão e o divertia com suas histórias. Após quatro anos no Enderun, ele saiu como um oficial (sipahi).
**O Sonho Visto na Mesquita Ahi Çelebi**
Evliya atribui a razão de suas viagens a um sonho. De acordo com a Enciclopédia Islâmica TDV, na noite de 19 de agosto de 1630, ele sonhou que se encontrava na Mesquita Ahi Çelebi, perto de Yemiş İskelesi, em meio a uma grande multidão. Enquanto tentava falar com entusiasmo para pedir intercessão, em vez de palavras, saiu de sua boca a palavra "viagem", e ele percebeu que seu pedido havia sido aceito. O Sheikh Abdullah Dede, da Casa Mevlevi de Kasimpasa De acordo com a Wikipédia em turco, a mesquita está localizada em Eminönü, perto do Zindan Han. Também é conhecida como Mesquita Kanlıfırın e Mesquita Yemişçiler. A mesquita foi incendiada duas vezes, em 1539 e 1653, permaneceu em ruínas por um longo período e foi restaurada na década de 1990, sendo então reaberta para culto. É uma pequena estrutura com uma única cúpula, construída em pedra e tijolo, e o acesso à porta é feito por uma escadaria.
Um Breve Resumo da Jornada de Evliya
É difícil resumir as viagens de Evliya em um único parágrafo, mas, em geral, ele viajou extensivamente. De acordo com a Enciclopédia Islâmica TDV, no início da década de 1640, ele viajou para Trebizonda e Crimeia, participando da expedição de Azak. Nos anos seguintes, visitou Erzurum, Azerbaijão e Geórgia, e depois Damasco, a Síria e muitas cidades da Anatólia. Passou muitos anos nos Balcãs e no Leste da Anatólia, acompanhando seu parente, Melek Ahmed Paşa. Em 1663, participou da expedição à Áustria e viajou para Viena com uma delegação. Em 1671, partiu de Istambul para a peregrinação a Meca. Viajou pela Anatólia Ocidental e Meridional, pelas ilhas do Egeu, pela Síria, chegando a Meca; depois seguiu para o Egito e viajou pelas regiões do Sudão e da Etiópia. O décimo e último volume de "Seyahatname" é dedicado inteiramente ao Egito e seus arredores. Acredita-se que Evliya tenha morrido antes de terminar sua obra, pois o décimo volume termina abruptamente. O local e a data de sua morte são incertos; a TDV menciona estimativas entre 1682 e 1684, e há alegações de que ele está enterrado em Istambul. A estrutura geral da obra é aproximadamente a seguinte:
* Primeiro volume: Istambul e arredores.
* Segundo volume: Bursa, a costa do Mar Negro, a região do Cáucaso e a expedição a Creta.
* Terceiro e quarto volumes: Síria, Rumelia, Leste da Anatólia e Irã.
* Entre o quinto e o oitavo volumes: Balcãs, Europa Central, Viena, Crimeia e Creta.
* Nono volume: a jornada da peregrinação, décimo volume: Egito.
Por que o Primeiro Volume é Dedicado a Istambul?
A Enciclopédia Islâmica TDV afirma explicitamente que o primeiro volume de "Seyahatname" é dedicado a Istambul. Um artigo no projeto "Grande História de Istambul" da Prefeitura de Istambul também menciona que este volume abrange praticamente todos os aspectos da cidade. O mesmo artigo cita os títulos dos capítulos do livro de John Freely, "Evliya Çelebi's Istanbul": "O sonho de Evliya", "Amuletos", "A conquista de Constantinopla", "O Palácio de Topkapi", "Os túmulos dos sultões", "As guildas de artesãos", "Os santos e os cemitérios", "Os subúrbios". Esses títulos dão uma boa A Wikipédia em turco relata que a pesquisadora da culinária otomana, Marianna Yerasimos, descobriu que o "Seyahatname" (Livro de Viagens) mencionava 44 tipos de pilaf, 40 tipos de sopa e quase 50 tipos de pão. Por isso, Istambul, para Evliya, não era apenas uma lista de monumentos, mas uma cidade viva. O autor, que detalhava cada profissão, é um testemunho da época.
Uma das seções mais longas do primeiro volume é um inventário dos comerciantes de Istambul. A entrada sobre comerciantes na Enciclopédia Islâmica TDV afirma que Evliya listava as guildas de comerciantes de Istambul no século XVII, mencionando seus nomes individualmente, e cita essa seção do primeiro volume do "Seyahatname" como fonte. O historiador Arif Bilgin, em um artigo publicado no projeto "Grande História de Istambul" da Prefeitura Metropolitana de Istambul (İBB), extraiu apenas os comerciantes do setor alimentício dessas anotações de Evliya e criou uma tabela. Alguns exemplos dessa tabela ilustram bem como Evliya via a cidade.
* De acordo com Evliya, 300 pessoas produziam e vendiam "simit" (um tipo de pão) em 70 lojas em Istambul.
* 100 das 500 lojas de iogurte estavam localizadas em Eyüp. Os iogurtes de Sütlüce, Kasımpaşa, Ortaköy, Kanlıca e Üsküdar eram famosos.
* Em Unkapanı, havia um "emin" (oficial responsável) responsável pelo fornecimento de farinha, bem como comerciantes de farinha. O "emin" responsável pelos peixes do sultão também estava localizado fora de Unkapanı, no antigo mercado de peixes, à beira-mar.
* Na região de Tahtakale, todo o café que seria vendido dentro dos limites do distrito judicial de Istambul era moído. Evliya menciona 100 pilões e três fornos ali.
* No sopé de Yemiş İskelesi, havia um depósito de vegetais pertencente ao estado, e as empresas dos moleiros de uvas estavam localizadas na Rua Ahi Çelebi.
* Até mesmo um grupo de pescadores que colocavam seus vasos de cerâmica amarrados em cordas na água, nas áreas pantanosas de Kağıthane, para pescar peixes de rocha, estava listado.
Bilgin enfatiza que os números de lojas e funcionários fornecidos por Evliya precisam ser verificados, mas que eles dão uma ideia do tamanho do setor. Ao ler Evliya, é importante ter essa ressalva em mente.
**Os Comerciantes Passando em Marcha pela Frente do Alay Köşkü**
No Istambul otomano, eram realizadas procissões em que um grande número de comerciantes passava pela cidade. De acordo com a entrada sobre "exército" na Enciclopédia Islâmica TDV, durante as campanhas militares, os comerciantes que se juntavam ao exército partiam de Istambul em uma cerimônia chamada "alayı" (marcha). Grupos de comerciantes se reuniam em suas lojas ao amanhecer, exibindo suas habilidades com suas roupas, ferramentas, tendas e tambores, e passavam em marcha pela frente do Alay Köşkü. Em seguida, saíam pela Porta Edirnekapı e montavam suas tendas A Enciclopédia Islâmica TDV descreve como Evliya, muitas vezes, gostava de apresentar notícias exageradas, inventando ocasionalmente eventos para dar cor às suas histórias e incluindo narrativas inacreditáveis para atrair a atenção do leitor. O mesmo artigo também menciona que seu estilo era simples e direto, como se estivesse conversando, e que ele dava grande importância à forma como as pessoas falavam nos lugares que visitava. Evliya era também bem-humorado, a ponto de escrever pequenas mensagens em paredes nos lugares que visitava, pedindo que fossem recitadas as primeiras versos do Alcorão (Fatiha) em seu nome. Quatro exemplos de Istambul ilustram bem essa forma de escrita.
* **Hezarfen Ahmed Çelebi:** De acordo com a TDV, as informações sobre ele são baseadas apenas no "Seyahatname". Evliya escreve que Hezarfen decolou da Torre de Galata, voou contra o vento e pousou na Praça Doğancılar, em Üsküdar. A TDV observa que seria impossível percorrer essa distância apenas com a força dos braços, mas que seria possível com um planador simples.
* **Lagari Hasan Çelebi:** A TDV descreve-o como um artista que, durante o reinado de Murad IV, voava usando foguetes feitos de pólvora. De acordo com a Wikipédia em turco, essa narrativa também se baseia no "Seyahatname": Lagari teria decolado com um foguete em frente ao Sultão, na Sarayburnu, e pousado no mar, em frente ao Palácio de Sinan Paşa.
* **Fontes:** Segundo a informação que Evliya dá sobre os sacos, os sacos em Istambul enchiam as 9.999 fontes da cidade. Esse tipo de número redondo e exagerado é comum em Evliya.
* **Câmara de Chumbo:** Evliya associa a câmara de chumbo em Galata ao califa Omari, Ömer b. Abdülaziz. A Wikipédia em turco e a TDV afirmam que a estrutura era, na verdade, um depósito localizado na torre das muralhas de Galata, na entrada do Mar de Mármara, durante o período bizantino. Atualmente, é conhecida como a Mesquita Subterrânea.
Os números e as lendas de Evliya não diminuem o valor de suas observações. Pelo contrário, são um registro raro de como um determinado edifício era conhecido e como as pessoas descreviam um lugar. Um bom leitor deve ler Evliya em conjunto com outras fontes.
**Istambul à Beira do Mar de Mármara**
O melhor lugar para seguir os passos de Evliya é a orla do Mar de Mármara, entre Unkapanı, onde ele nasceu, e Yemiş İskelesi, onde teve seu sonho. Unkapanı está localizado na extremidade da península histórica, na Ponte Atatürk (antigamente chamada de Ponte Unkapanı). Na lista de comerciantes de Evliya, Unkapanı é descrita como o centro do fornecimento de farinha da cidade. Ao caminhar de Unkapanı para Eminönü, você passará por uma área onde muitos dos negócios mencionados na lista de Evliya estão localizados: armazéns de farinha, peixe, frutas e legumes, e o local onde o café era moído em Tahtakale. Embora muitas das ruas tenham mudado, a densa teia comercial entre De Galata a Eyüp
Do outro lado do Corno de Ouro, duas histórias de Evliya esperam por você. A primeira é a Torre de Galata. De acordo com o Ministério da Cultura e Turismo, a torre foi construída no século XIV pelos genoveses como parte das muralhas de Galata. Durante o período otomano, serviu como prisão por um tempo e, posteriormente, como torre de observação contra incêndios. Em 2020, foi restaurada pela Direção Geral de Waqfs (fundos religiosos) e hoje é visitada como museu. Do topo da torre, enquanto observa Üsküdar, você pode medir com seus próprios olhos a distância da história de Hezarfen. De acordo com o site do ministério, menores de 18 anos devem visitar a torre acompanhados pelos pais; verifique os horários e informações sobre ingressos no site oficial. A segunda parada é a Mesquita Subterrânea, perto do cais de vaporetto de Karaköy. A estrutura, que Evliya descreve como um "porão coberto de chumbo" e que era usada como depósito de trigo, foi transformada em mesquita na década de 1750, de acordo com a Wikipédia em turco. Sob os baixos arcos, é um bom exercício de leitura refletir sobre a lenda de Evliya e o passado bizantino da estrutura. Este também é um local de culto ativo; os mesmos costumes de visita devem ser seguidos. Eyüp ocupa um lugar especial na vida de Evliya. De acordo com a Enciclopédia Islâmica TDV, Evliya atribui sua decisão de fazer a peregrinação à Meca a um sonho que teve após visitar o túmulo de Eyüp Sultan na noite de Kadir. Ele partiu de Istambul em maio de 2071. De acordo com o quadro de Arif Bilgin, Evliya também escreve que um quinto das lojas de iogurte de Istambul estão localizadas em Eyüp. Ao visitar a Mesquita de Eyüp Sultan hoje, siga os mesmos costumes: visite fora dos horários de oração, vista-se adequadamente e mantenha o silêncio ao redor do túmulo.
Os Manuscritos de "Seyahatname" e a UNESCO
As cópias originais de "Seyahatname" estão em Istambul. De acordo com a Enciclopédia Islâmica TDV, as pesquisas mais recentes indicam que as cópias principais estão na Biblioteca do Museu do Palácio de Topkapi; os primeiros e segundos volumes estão na coleção do Pavilhão de Bagdá. De acordo com a Comissão Nacional da UNESCO da Turquia, as cópias são preservadas na Biblioteca do Museu do Palácio de Topkapi e na Biblioteca de Manuscritos de Süleymaniye, e "Seyahatname" de Evliya Çelebi foi registrada na Lista Internacional da Memória do Mundo da UNESCO em 2013. De acordo com o site da mesma comissão, a 35ª Conferência Geral da UNESCO, em 2009, incluiu o 400º aniversário do nascimento de Evliya Çelebi entre os anos comemorativos de 2011. Ou seja, 2011 foi o ano em que Evliya foi reconhecido em escala mundial. A história da publicação da obra também é longa. De acordo com a Wikipédia em turco, os primeiros seis volumes foram publicados em Istambul a partir de 1896, e os volumes restantes foram publicados entre 1928 e 193 - Por volta do meio-dia, caminhe pela região de Unkapanı e pela orla do Corno de Ouro. Percorra a orla pelo bairro onde Evliya nasceu, em direção a Eminönü.
- À tarde, visite o Yemiş İskelesi (Cais dos Frutos Secos) e a Mesquita Ahi Çelebi, e depois explore as ruas de Tahtakale.
- No final da tarde, visite o Alay Köşkü, em Gülhane. Em frente ao palácio, observe a rua por onde passavam as patrulhas militares.
- Ao final do dia, atravesse a Ponte Galata e visite a Mesquita Subterrânea em Karaköy, e então suba à Torre Galata.
Se você está se perguntando por onde começar a ler, uma edição da primeira parte do "Seyahatname" traduzida para o turco moderno é um bom ponto de partida. Para seus amigos que leem inglês, a Wikipedia em inglês oferece duas opções: a tradução de Joseph von Hammer-Purgstall, publicada em 1834 e que cobre os dois primeiros volumes, e a tradução de Robert Dankoff e Sooyong Kim, de 2010, que contém seleções de dez volumes. A linguagem de Hammer está desatualizada; as seleções são mais fáceis de ler para iniciantes. Leve consigo algumas páginas da primeira parte do "Seyahatname" ou um livro sobre ele e, em cada parada, observe o que ele diz sobre aquele lugar. Ao ler as observações de Evliya com atenção e sorrindo com suas exageros, você perceberá que a distância entre Istambul há quatrocentos anos e a cidade de hoje é menor do que você imagina.
Fontes:
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Evliya Çelebi", https://islamansiklopedisi.org.tr/evliya-celebi
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Esnaf" (Artesãos), https://islamansiklopedisi.org.tr/esnaf
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Orducu" (Militar), https://islamansiklopedisi.org.tr/orducu
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Alay Köşkü" (Palácio das Patrulhas), https://islamansiklopedisi.org.tr/alay-kosku
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Hezarfen Ahmed Çelebi", https://islamansiklopedisi.org.tr/hezarfen-ahmed-celebi
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Galata", https://islamansiklopedisi.org.tr/galata
- TDV İslam Ansiklopedisi, entrada "Rumelihisarı", https://islamansiklopedisi.org.tr/rumelihisari
- Arif Bilgin, "Os Artesãos de Alimentos em Istambul no Meio do Século XVII", História de Istambul da Antiguidade ao Século XXI, https://istanbultarihi.ist/114-xvii-yuzyilin-ortalarinda-istanbuldaki-gida-esnafi
- História de Istambul, "Desenhando a Cidade com Palavras", Istambul em Textos Literários Otomanos, https://istanbultarihi.ist/247-sehri-sozle-resmetmek-osmanli-edebi-metinlerinde-istanbul-xv- Ministério da Cultura e Turismo, página da Torre de Gálata, em Istambul: https://muze.gov.tr/muze-detay?SectionId=GLT04&DistId=MRK
- Wikipédia, Evliya Çelebi: https://tr.wikipedia.org/wiki/Evliya_%C3%87elebi
- Wikipédia, "Seyahatname" (Evliya Çelebi): https://tr.wikipedia.org/wiki/Seyahatn%C3%A2me_(Evliya_%C3%87elebi)
- Wikipédia, Mesquita Ahi Çelebi: https://tr.wikipedia.org/wiki/Ahi_%C3%87elebi_Camii
- Wikipédia, Lagari Hasan Çelebi: https://tr.wikipedia.org/wiki/L%C3%A2gar%C3%AE_Hasan_%C3%87elebi
- TDV Enciclopédia Islâmica, artigo sobre Lagari Hasan Çelebi: https://islamansiklopedisi.org.tr/lagari-hasan-celebi
- Wikipédia, Mesquita Subterrânea: https://tr.wikipedia.org/wiki/Yeralt%C4%B1_Camii
- Wikipédia, Ponte Atatürk: https://tr.wikipedia.org/wiki/Atat%C3%BCrk_K%C3%B6pr%C3%BCs%C3%BC
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